27 de abr. de 2007

Sem Saída

Eu queria estar
Em outro lugar
distante dessa gente
e poder encarar de frente
o passado recente.
Buscar outros ares
Singrar novos mares
E, apesar dos pesares,
Crer no amor e na vida
e, assim, aceitar a dor da ferida
por mais profunda e sofrida
que possa ser essa mágoa.
E entender porque o amor,
cuja chama não se apaga,
a minha vida aos poucos acaba.

Vida e Morte

Hoje eu acordei
Sem saber o que queria
E nesse dia a dia
Eu vivo sobrevivente
A morrer lentamente
Na triste agonia
De viver pra morrer
E morrer sem viver

Janela Discreta

Discreta,
a janela observa
a rua deserta
vazios passantes
almas fugidias
vida esquecida
roncos, ruídos
absurdos sutis
vida rotina
fere, machuca, aniquila
do ser a essência
na luta da sobrevivência.
A janela discreta
continua deserta.
A rua.

Chuva

A chuva, às vezes me entristece
Molha a alma
Me deixa sentimento!
Fico aqui, tentando saber
Raciocinar é preciso...
Não vejo a hora
(Tem de ser agora?)
Quero ver o sol nascer
Falar de tantas coisas
Que já nem sei mais do quê.
A chuva molha a calçada,
Fecunda a terra.
E eu continuo estéril
No meu pensamento egoísta
De quem não gosta da chuva
Mas a quer só pra si.

Me Achando

Esses dias, me perdi
Hoje me encontrei
Agora estou aqui,
Em meio à solidão coletiva
Num ponto da cidade
Entre paredes de concreto
E indiferenças particulares

Só o que me resta é o sonho
Nessa cidade ao avesso
que expõe o esqueleto de cimento
e separa as pessoas do sentimento